Cidades Inteligentes, e a Gestão Pública?

A tecnologia está cada vez mais presente na vida das pessoas, procedimentos e sociedade por meio de uma infinidade de equipamentos, softwares e aplicativos que utilizamos com mais intensidade e dependência em nosso cotidiano. Alguns avaliam a tecnologia de forma negativa, como algo que nos atrapalha e modifica aquilo que já estamos acostumados a fazer e nos sentimos confortáveis. Muitos outros sabem que a tecnologia nos traz um conjunto de benefícios e conforto para a realização de muitas tarefas, negócios, educação, saúde e prosperidade da humanidade.

As Cidades Inteligentes estão neste segundo grupo que proporciona, de forma positiva, um conjunto de facilidades aos cidadãos, em especial nos munícipios, que podem usufruir e se beneficiar tornando a qualidade de vida melhor. Para isso, uma das questões que é importante destacar é que precisamos de governos e gestão pública inteligentes para termos Cidades Inteligentes. Esta questão não é de solução simples, pois necessita de um conjunto de atitudes, devidamente planejadas e organizadas, que promovam e implementem a competência e os resultados na execução das atividades e serviços públicos à população. Também, requer que os tomadores de decisão nas cidades conheçam e atendam as demandas, com legalidade, transparência e ética no trato da gestão pública.

As Smart cities, designação em inglês de Cidades Inteligentes, são a utilização de tecnologias, sensores e serviços para coletar e aplicar dados e recursos de maneira eficiente e eficaz. Isto é, a implementação de soluções tecnológicas convergentes e integradas desde o processo de captação de informações até a entrega do serviço público ao cidadão. Este conjunto de tecnologias convergentes são energias renováveis, automação de processos para emissão de documentos públicos, computação em nuvem, internet das coisas, big data, blockchain, inteligência artificial, residências inteligentes, entre outras.

Os avanços tecnológicos da chamada 4ª. Revolução Industrial como a internet, redes computacionais e a transformação digital do mercado estão proporcionando para a humanidade o acesso e o desenvolvimento de diversas tecnologias resultado da integração e convergência tecnológica física, digital e biológica. A possibilidade de tecnologias que interoperam informações com equipamentos físicos e que podem ser “vestidos” pelos seres humanos, promovem a potencialização de facilidades, conforto e usabilidade aos cidadãos de cidades inteligentes.

Na gestão pública e governança política das instâncias de governo, desde a década de 60, são implementadas soluções de informática, automação parcial de processos e armazenamento de dados, baseadas na lógica do comando, controle e hierarquia. Atualmente, este modelo tradicional que prevalece na maior parte dos municípios brasileiros, não são mais eficientes e suficientes para atender a demanda por soluções ágeis e digitais dos cidadãos e ambiente de negócios. A mudança necessária no momento é de reestruturação total com base em novas premissas e condições de gestão descentralizada, comunicação direta e sistemática com os cidadãos e processos estruturados para solucionar as demandas reais e objetivas rapidamente.

Essa modernização digital que torna uma cidade inteligente contribui para uma maior aproximação das autoridades e gestores públicos com o cidadão, tornando o processo de condução dos municípios mais adequado e humanizado. O resultado é a melhora do trânsito e da segurança pública, acesso à educação e saúde, redução de filas nos prédios públicos, mais economia aos cidadãos e ao município, acesso a dados e transparência nas ações, projetos e gastos públicos, além da geração de dados e informações em tempo real, auditáveis, para facilitar a decisão dos gestores no município.

O processo de implementação de tecnologias para Cidades Inteligentes se inicia com a identificação de demandas de automação de processos de gestão e monitoramento dos municípios. Conhecer quais as verdadeiras necessidades, é importante para a boa aplicação dos recursos que sempre são limitados no orçamento público. Após isso, deve-se estudar e planejar quais as tecnologias e sensores que devem ser implementados. Na sequência, a execução dos processos de compras e licitações, estruturação de contratos adequados às características das tecnologias, implementação e monitoramento das empresas contratadas com a devida avaliação sistemática e disciplinada, também são igualmente importantes para a inteligência
das cidades.

Alguns grandes exemplos de cidades inteligentes no mundo são Londres, Nova York, Amsterdã e Barcelona. As quatro cidades possuem impulsionadores de crescimento econômico sustentável, alta qualidade de vida, gestão consciente dos recursos naturais, governança participativa e democrática. Os aspectos de destaque nessas cidades são: Londres é a cidade que mais recebe profissionais e empresas de tecnologia; Nova York é considerada o centro econômico mais importante do mundo; Amsterdã é uma cidade com altos investimentos em tecnologia financeira, cultura e eficiência energética e Barcelona, que conseguiu criar 47 mil empregos, além de economizar 42 milhões de euros em apenas um ano, por meio de projetos em Internet das Coisas (IoT).

É notável como as tecnologias afetam e potencializam quase todas as áreas de atuação humana. Além de melhorar a eficiência dos serviços, as cidades inteligentes também podem ser responsáveis por promover um ambiente de comunidade, com pessoas compartilhando experiências e serviços. O desafio está lançado para os governos e gestores públicos dos diferentes poderes e instâncias, com a demanda e participação dos cidadãos que desejam a melhoria da qualidade de vida e a liberdade de desenvolver negócios e a sociedade.

 

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