O que nos dizem os Boletins Macrofiscais e os Boletins FOCUS para 2021? Entre o pessimismo e a esperança: a imprevisibilidade dos números

Este artigo pretende fazer uma comparação da capacidade de previsão o Boletim Macrofiscal (SPE/M.E.) e do Boletim Focus, o qual compila opinião de analistas financeiros e economistas do setor privado. Esta análise foca em 2 componentes: taxa de inflação (IPCA) e taxa de crescimento do PIB. Para tanto, foram comparadas as expectativas do Governo, via Boletim Focus, com os prognósticos do setor privado, expressas no Boletim Focus, compilado pelo Banco Central.

O ano de 2021 se iniciou com as expectativas de novembro (de 2020):


Tanto o Boletim Focus como o Boletim Macrofiscal de novembro previam uma inflação de cerca de 3,2% a 3,3% em 2021, o que, evidentemente, não se verificou. O mesmo ocorreu em relação ao PIB previsto para 2021 (3,2%).

E ao longo de 2021 como foi a capacidade de previsão de ambos (do Boletim Focus e do Boletim Macrofiscal/SPE/ME)?

O que se observa dos números acima é que tanto o Ministério da Economia quanto os analistas econômicos do setor privado, subestimaram fortemente as expectativas inflacionárias para 2021.

Com efeito, no último Boletim Macrofiscal de 2020, a projeção era de um IPCA em torno de 3,2% para 2021, equivalente à projeção dos analistas privados (FOCUS).

Ao longo de 2021 as expectativas dos analistas de investimento ouvidos pelo Banco Central em relação à inflação passaram de 4,4% em março para 8,0% em setembro, quando a inflação acumulada já beirava a casa dos 6,0%. O Ministério da Economia seguiu, em linhas gerais essas expectativas e atualizou as suas na mesma direção. Com efeito, estas passaram de 4,4% em março de 2021 para 7,9% em setembro do mesmo ano, apenas 0,1 ponto abaixo daquela apresentada pelos analistas privados.

Em termos e PIB, observamos uma dinâmica um pouco diferente.

As expectativas de ambos, Ministério da Economia e setor privado, convergiam no Boletim Macrofiscal de 2020 para um crescimento do PIB em 2021 em torno de 3,2% a 3,3%, o que também não ocorreu.

Em março de 2021, após o recrudescimento da pandemia, com o surgimento de uma nova variante do vírus, o setor privado (via Boletim Focus) reduziu suas expectativas para 3,18% de crescimento do PIB em 2021, enquanto o Ministério da economia manteve sua projeção em 3,21%, com o setor público mais otimista que o setor privado.

Finalmente, em setembro, vê-se uma nova redução no otimismo do setor privado, enquanto o Ministério da economia mantém sua posição oficial para o crescimento do PIB em 2021 em torno de 5,3%, contra uma queda de projeção do setor privado para 5,04%.

Concluindo, pode-se observar que ambos os prognósticos dos analistas do setor privado (via Boletim Focus), bem como os prognósticos do Boletim Macrofiscal não se verificaram com a inflação (representada pelo IPCA)  e o PIB mostrando maior avanço do que o previsto pelos analistas do setor publico (Boletim Macrofiscal) e do setor privado (Boletim Focus).

Ricardo Caldas, Expert da FLE Brasil

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