A democracia social-cristã: o ideal desconhecido

O Brasil, no seu período de “Nova República” ou “República Cidadã”, assim entendida como a forma de governo que nasce a partir da promulgação da Constituição de 1988, já teve governos do mais diversos tipos: neoliberal, social-democrata, socialista e até mesmo um conservadorismo com pegada reacionária. Até o presente momento, nenhuma dessas filosofias políticas conseguiu sucesso quando aplicadas na prática, pelas mais diversas razões, deixando a desejar ao povo brasileiro nas mais diversas áreas, como economia, política, relações exteriores, entrega de serviços públicos e assistência social, por exemplo.

Cabe então um desafio ao movimento político social-cristão brasileiro nos próximos anos: a organização política, em torno do partido que melhor representa o referido pensamento, para apresentação de um projeto sustentável de reforma do Estado brasileiro a partir das nossas bandeiras, que são as que melhor refletem a forma majoritária de pensamento da população do nosso país.

Que bandeiras são essas?

Bem, o pensamento social-cristão está intimamente ligado à doutrina social da Igreja Católica, ainda que, por ser um pensamento cristão na sua essência, acabe por refletir os valores e princípios de toda a cristandade. Autores como Emmanuel Mounier e Jacques Maritani secularizam posteriormente o pensamento social-cristão, sem perda das suas características básicas. Maritani, inclusive, é um dos autores que mais influenciaram a Declaração Universal de Direitos Humanos, um documento fortemente social-cristão politicamente seqüestrado pela esquerda e rejeitado por uma “direita” que desconhece o fato de que não há nada mais de direita do que direitos humanos, mas direitos humanos de verdade, e não o engodo de defesa de marginais defendido por políticos que se elegem a partir da defesa de meliantes.

A doutrina social-cristã, diga-se, nasce historicamente exatamente para ser o contraponto da doutrina socialista que, naquele momento do final do séc. XIX, invadia e dominava corações e mentes em toda a Europa. Ao contrário do socialismo, prega a defesa do livre-mercado a partir de padrões e balizas éticas cristãs, no que na Alemanha veio a se chamar de “economia social de mercado”. A ideia é bastante simples: não se nega que a liberdade econômica é o melhor caminho para o desenvolvimento pessoal e da sociedade como um todo, sendo o exercício da propriedade privada um direito fundamental para que o cidadão possa produzir e consumir na sociedade a partir de suas próprias escolhas, formando assim seu caráter. Sem liberdade não há escolha, e sem liberdade de escolha não há responsabilização, e é só com responsabilização pessoal que pode haver salvação do indivíduo.

Essa economia social de mercado, que produz mais bens e serviços e os distribui de maneira muito mais eficiente que o planejamento central socialista, ainda assim carece de algumas correções, seja de ordem moral ou utilitária.

As correções de ordem moral se dão quanto ao tipo de bens e serviços a serem produzidos, pois aqueles que são nocivos ao indivíduo e a sociedade como um todo, como a produção e consumo de entorpecentes de alto grau de adicção ou a liberação de clínicas de aborto não devem prosperar. As correções de ordem utilitária são aquelas fruto da descoordenação natural de mercado, que deixa para trás alguns indivíduos no que tange ao acesso a uma quantidade básica de consumo, e essa correção deve ser feita, prioritariamente, a partir de instrumentos de mercado como, por exemplo, a utilização de vales para dar acesso a bens e serviços de forma mais eficiente.

Falando ainda em necessidades básicas do cidadão que precisam ser atendidas, a doutrina social-cristã é defensora dos princípios da subsidiariedade e da solidariedade, que devem atuar de maneira sinérgica. De acordo com essa ideia, os indivíduos e a sociedade devem procurar resolver os problemas sociais antes do uso da máquina estatal. Com isso, valoriza-se a união de esforços dos membros da comunidade para cuidarem uns dos outros, gerando assim um sentimento de pertencimento e amizade que engrandece moralmente o cidadão e o leva à salvação. Se a sociedade não consegue resolver o problema social, aí sim a máquina do Estado deve intervir para garantir o mínimo existencial para o cidadão.

A doutrina social-cristã também busca chegar sempre ao conceito de justiça distributiva de Aristóteles, de forma que cada um tenha acesso àquilo que lhe é devido, seja por força da sua própria condição humana, seja pelo trabalho que é exercido. Trabalho esse que deve ser valorizado como condição para sustento e solidez de uma família, célula-base da sociedade e bastião social contra o pensamento coletivista das doutrinas de esquerda. O trabalho é essencial como meio, não como fim em si mesmo, mas deve ser entendido também a partir de uma perspectiva de meio de interação do indivíduo com a sociedade, sendo o trabalho a garantia de que o indivíduo agrega e contribui para o enriquecimento e bem-estar de todos.

Falando ainda em família, políticas públicas de apoio a manutenção da estrutura familiar, com defesa da vida desde a sua concepção, a busca por uma sociedade sem uso de entorpecentes e responsabilização pessoal de familiares pelo bem-estar coletivo de sua comunidade consangüínea e/ou afetiva, em todos os campos (afetivo, financeiro, educacional, etc), são também muito bem-vindas na busca por uma sociedade saudável e valorosa.

Como dito, esses princípios e valores só terão a oportunidade de serem aplicados na prática com a participação política organizada do movimento social-cristão e vitória nas urnas a partir de um processo de convencimento do colégio eleitoral brasileiro, o que não precisa ser difícil, já que nossa sociedade já nasce baseada no pensamento cristão, sendo essas idéias muito familiares à maioria do povo brasileiro.

Com a vitória política das idéias certas, temos absoluta certeza de que o Brasil finalmente poderá dar o salto de qualidade nos campos moral, social e econômico que nosso povo tanto precisa, e isso passa pelo engajamento dos bons políticos e cidadãos na Fundação da Liberdade Econômica e no Partido Social Cristão.

Vamos juntos fazer da democracia social-cristã, o ideal racionalmente desconhecido pela população, mas que sempre viveu no inconsciente popular, o instrumento de redenção política do povo brasileiro!

 

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