PALAVRA
DO PRESIDENTE

PALAVRA DO PRESIDENTE

MÁRCIO COIMBRA


É Presidente do Conselho da Fundação da Liberdade Econômica e Coordenador da pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília. Cientista Político, mestre em Ação Política pela Universidad Rey Juan Carlos (2007). Ex-Diretor da Apex-Brasil e do Senado Federal.

PROTAGONISMO AMBIENTAL

A retomada da imagem do Brasil na frente internacional é uma das metas do governo eleito e a agenda ambiental é o principal atalho para este objetivo. Esta pauta ajuda a abrir novas rotas de comércio, caminhos dentro de uma nova economia e a liderança do país em fóruns internacionais. Um caminhonegligenciado nos últimos anos e que se apresenta agora como um trunfo para o resgate da imagem externa brasileira.

Internacionalmente o país se tornou interlocutor respeitado no assunto logo depois de sediar a Rio 92, conferência internacional das Nações Unidas que recebeu dezenas de chefes de Estado e de governo, assim como lideranças ambientais e ONGs para amplo debate sobre os rumos da questão ambiental. A partir daquele momento, o Brasil, que retomava sua democracia, adquiria legitimidade real para tratar do tema. 

Naquele momento, o Brasil se tornou pioneiro em criar uma estrutura governamental para sistematizar o setor. Detentor de uma das mais importantes biodiversidades do mundo, nosso país buscou conciliar uma agenda de desenvolvimento aliado a preservação, o que se passou a chamar de desenvolvimento sustentável. Assim passou a liderar a pauta em nível mundial como interlocutor indispensável na área.

Tanto na esfera multilateral, como nas relações bilaterais, a agenda ambiental fez parte importante da nossa política externa como tema relevante e estratégico. Isto significa, em outras palavras, que a percepção internacional do Brasil passou a transitar também por este assunto. 

Assim, nosso país se tornou um player relevante nesta matéria, servindo de referência ao longo dos anos em política ambiental por diversos governos – com um hiato nos últimos quatro anos de governo Bolsonaro, que ao rejeitar esta agenda, perdeu uma grande oportunidade de trabalhar de forma estratégica um tema que colocava nosso país nas grandes negociações e discussões internacionais.

Uma política de enfrentamento, como experimentou o governo que despede, pode acarretar prejuízos internacionais. É responsabilizado, entre outras coisas, pelo atraso no acordo entre Mercosul e União Europeia devido à forma que as lideranças brasileiras têm tratado o desmatamento desenfreado na Amazônia e isolou o Brasil no plano das discussões externas, colocando o país em uma espécie quarentena internacional.

Os prejuízos foram sentidos inclusive no agronegócio, que não quer perder negócios e sente a pressão internacional diante da omissão de Bolsonaro por escolhas sustentáveis. Maior desmatamento de todos os tempos, queimadas na Amazônia, lideranças ambientais assassinadas. O Brasil precisa de uma mudança de discurso e postura.

A coalizão eleita em torno de Lula sabe disso e a articulação para participar da 27ª Conferência das Partes da ONU para Mudanças Climáticas é a primeira grande sinalização do novo presidente eleito. Diz ao mundo, no maior palco de discussão do assunto que estamos prontos para fazer diferente e o Brasil quer assento em todas as importantes discussões.

Ao que tudo indica, no Egito, o Brasil começará a retornar para uma postura responsável e de protagonismo diante de um tema sobre o qual exerce liderança natural. Melhorar a imagem brasileira significa mais investimentos para o Brasil, voltar a ter trânsito nos organismos internacionais de forma consistente e ser ouvido em fóruns correlatos responsáveis por gerar liderança também em outros temas relevantes.

As sinalizações são boas para o Brasil dos próximos anos. O presidente eleito já foi informado que Alemanha e Noruega retornaram os financiamentos do Fundo Amazônia. No palco da COP27, interlocutores dizem que o presidente eleito deve oferecer o Brasil como sede da conferência em 2025. Um movimento que colocaria o nosso país no centro da discussão ambiental, retomando sua liderança e capacidade de articulação internacional.

Assim como no período pós-Rio-92, é inteligente voltar a liderar esta agenda como o mais importante player internacional em política ambiental. Uma estratégia de longo prazo com benefícios políticos e sociais, além dos reflexos positivos diretos na imagem internacional do Brasil.

 

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