Retrospectiva de 2021

O ano de 2021 pode ser visto sobre dois ângulos: o ângulo econômico e o ângulo político.

Do ponto de vista econômico, o ano de 2021 trouxe bons indicadores para o país. Um exemplo é o crescimento do PIB, estimado em 4,5%, pelo Boletim FOCUS do Banco Central e pelo governo novembro, os dados do crescimento do setor de serviços indicaram um crescimento de 2,4% em relação ao mês anterior e de 9,5% em relação ao mesmo período (novembro) de 2020.

No acumulado do ano de 2021, o setor de serviços cresceu 10,9%. Muito embora os dados sobre o desempenho do PIB brasileiro em 2021 só devam estar disponíveis em fevereiro de 2022, com os resultados apresentado pelo setor de serviços, que representa 70% da economia brasileira, o crescimento do PIB brasileiro em 2021 provavelmente alcançará uma variação positiva (crescimento) entre 4,5% e 5,0% em comparação à 2020.

Da mesma forma, houve boas notícias na balança comercial brasileira. O superávit comercial de US$ 61,0 bilhões foi um dos maiores que o Brasil já teve, só perdendo para o de 2017, quando o superávit brasileiro atingiu quase US$ 67 bilhões de dólares, segundo o segundo maior em trinta anos.

Esse saldo só foi possível de ser obtido em função do crescimento expressivo de em 34% das exportações brasileiras em 2021 em relação à 2020. Com efeito, as exportações em 2021 atingiram o montante de US$ 280,0, o maior de nossa história, superando largamente o resultado de 2020, que foi de US$ 209 bilhões.

Dessa forma, o Brasil se consolidou como o 25º maior exportador mundial. As exportações de 2021 geraram um recorde histórico, jamais registrado na série histórica de exportações brasileiras desde que o Siscomex foi implantado. Esse resultado foi fruto de um conjunto de fatores. Houve um aumento de 62,4% das exportações de produtos da indústria extrativa, tais como o minério de ferro (72,9%) e petróleo (54,3%), que se tornou um dos carro-chefe das exportações, com um valor de cerca de US$ 30,0 bilhões, um recorde absoluto, possível pelo aumento do preço da commodity, cuja negociação nos mercados internacionais passou de cerca de US$ 51,0 em janeiro de 2021 para US$ 79,0 em dezembro de 2021 uma variação de quase 60%.

A exportação de produtos agropecuários também foi bastante positiva em 2021, com uma variação de + 22,2%. Quando se fala em exportações de produtos agropecuária não se pode de deixar de mencionar, entre outros, a importância da soja, a qual apresentou um significativo de crescimento de 35,3% em valor e de 5,2% em volume, chegando a 86,6 milhões de toneladas, um novo recorde na série histórica da balança comercial brasileira.

Além disso, as exportações brasileiras em 2021 geraram uma corrente de comércio de inéditos meio trilhão de dólares (US$ 499,8 bilhões), aumentando a inserção do Brasil no comércio internacional. Um aspecto interessante observado é que pela primeira vez em muitos anos, as exportações para os Estados Unidos e para a União Europeia tiveram um crescimento superior àquele verificado em relação à China, com um crescimento de 44,9% para os EUA e 32,1% para União Europeia, contra 28% para a China.

Isto significa que o crescimento das exportações em 2021 se deveu a conquista de novos consumidores em mercados tradicionais, como os EUA e a União Europeia, onde nossas exportações têm maior valor agregado do que em relação à China. Em consequência do superávit comercial expressivo obtido, chegamos a reservas internacionais de US$ 362,2 bilhões em 2021, um aumento de quase 2% em relação às reservas de US$ 355,6 bilhões em 2020.

Outro resultado importante de 2021 foi a geração de empregos, que foi expressiva em 2021. De fato, em 2021 foram gerados quase 3,0 milhões de empregos líquidos até novembro e 3,2 milhões em termos anualizados, se consideramos a média mensal até novembro e a projetarmos para o final do ano¹.

No entanto, a maior parte dos brasileiros e a mídia concentraram-se apenas na taxa de inflação que em 2021 atingiu a cerca de 10,06%².  É certo que uma inflação elevada gera perda de renda e inviabiliza planejamentos realizados, mas é preciso ter uma visão panorâmica e analisar os indicadores da economia como um todo e não se concentrar em apenas um ou dois indicadores.

Já no campo político tivemos muitas novidades. A primeira foi a vacinação expressiva dos brasileiros atinge 320, milhões de doses, dos quais 143 milhões com o ciclo completo, 90% da população vacinável inicial (maiores de 18 anos) de 160 milhões de brasileiros ou 80% da população vacinável acima de 12 anos. Isso provavelmente retirará o tema vacinação da campanha eleitoral de 2022.

A Aprovação do Auxílio Brasil, por meio de Medida Provisória, cujos recursos foram garantidos pelas Emendas Constitucionais no. 113 e 114 (“A PEC dos Precatórios “) certamente terá um impacto na área da economia e na área social, muito embora o impacto político ainda seja difícil de estimar.

Mas certamente o principal fato de 20221 foi a anulação das condenações do ex presidente Lula, o que o torna elegível, e a entrada de Moro na corrida eleitoral.

Esses fatores serão aprofundados em um futuro artigo, que tratará exclusivamente das perspectivas para 2022.

 

¹Estimativa. Os dados de dezembro ainda não estavam disponíveis, mas estima-se que o resultado de dezembro não deve ser inferior a 220 mil postos de trabalho gerados. Utilizou-se, portanto, a metodologia de anualização dos dados, tendo como base a média mensal de 2021e adicionando-se ao resultado acumulado.
² IBGE. Dado divulgado em 11/01/2022.

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